EPI por Setor de Aplicação

EPIs em Postos de Combustíveis: Riscos e Proteção dos Trabalhadores

Conheça os principais riscos em postos de combustíveis e saiba como EPIs, NR-6, NR-20, treinamento e medidas de prevenção protegem os trabalhadores.

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EPIs em Postos de Combustíveis: Riscos e Proteção dos Trabalhadores

Trabalhar em um posto de combustível envolve uma combinação de riscos que pode mudar bastante de acordo com a função exercida. Abastecimento, troca de óleo, manutenção, limpeza e descarga de combustíveis apresentam exposições diferentes e, por isso, não existe uma lista única de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) que sirva para todos os trabalhadores.

O contato com gasolina, etanol, diesel, óleos e produtos de limpeza pode ocorrer ao mesmo tempo em que o trabalhador está exposto a vapores, respingos, movimentação de veículos, riscos de incêndio, quedas e condições climáticas.

Nesse ambiente, o EPI é uma das medidas de prevenção, mas sua utilização precisa estar integrada a procedimentos seguros, treinamento, manutenção das instalações e outras medidas de controle.

Quais são os principais riscos em um posto de combustível?

A rotina de um posto reúne diferentes perigos e a exposição depende diretamente da atividade realizada.

  • Contato da pele com combustíveis e produtos químicos;
  • Respingos nos olhos;
  • Exposição a vapores de combustíveis;
  • Presença de substâncias inflamáveis;
  • Risco de incêndio e explosão;
  • Derramamentos de combustíveis;
  • Contato com óleo e graxa;
  • Queda de objetos;
  • Escorregões e quedas;
  • Movimentação de veículos;
  • Atropelamentos;
  • Exposição ao sol e às condições climáticas;
  • Riscos durante manutenção de bombas, equipamentos e veículos.

Também merece atenção a exposição ocupacional ao benzeno nas atividades envolvendo combustíveis. A NR-20 possui requisitos específicos relacionados a essa exposição em postos de serviços revendedores de combustíveis automotivos.

Quais EPIs podem ser utilizados?

A seleção depende da função e dos riscos identificados. Entre os equipamentos que podem fazer parte da proteção estão:

  • luvas de proteção;
  • óculos de proteção;
  • calçados de segurança;
  • vestimentas de proteção;
  • proteção respiratória, quando indicada pela avaliação de riscos;
  • outros equipamentos definidos de acordo com a atividade.

O ponto mais importante é entender que cada equipamento possui uma finalidade específica. O fato de um EPI ser utilizado em um posto não significa que ele seja adequado para todas as atividades realizadas no local.

Luvas: o material precisa ser compatível com o produto

As mãos podem entrar em contato com combustíveis, óleos, graxas, produtos de limpeza e outras substâncias. Por isso, as luvas estão entre os equipamentos mais utilizados nesse tipo de ambiente.

Mas escolher uma luva apenas pelo fato de ela ser resistente não é suficiente. O material precisa ser compatível com a substância manipulada e com o tipo de contato esperado.

Uma luva que oferece proteção adequada em determinada atividade pode apresentar resistência diferente quando utilizada diante de outro produto químico. Por isso, é necessário considerar as características do produto, a atividade realizada e as orientações do fabricante.

Também é importante substituir as luvas quando houver desgaste, rasgos, contaminação ou perda das características de proteção.

Outro cuidado simples é evitar tocar telefones, computadores, maçanetas e outros objetos com luvas contaminadas. Esse comportamento pode transferir contaminantes para superfícies que não fazem parte da atividade.

Óculos de proteção contra respingos

Durante o abastecimento, manutenção, limpeza ou manipulação de produtos, os olhos podem ficar expostos a respingos de combustíveis, óleo, detergentes e outros materiais.

Os óculos de proteção devem ser selecionados de acordo com o tipo de exposição existente.

Quando a atividade apresentar maior possibilidade de respingos ou projeção de materiais, pode ser necessária uma proteção ocular ou facial mais abrangente.

O estado de conservação também precisa ser observado. Óculos riscados, danificados ou que prejudiquem a visão devem ser avaliados e substituídos quando necessário.

Calçados de segurança também fazem diferença

O piso de um posto pode apresentar óleo, combustível ou outros produtos derramados. Além disso, existem situações envolvendo queda de objetos, ferramentas e materiais.

Por isso, o calçado deve ser escolhido de acordo com os riscos identificados na atividade.

Dependendo da função, características como resistência, solado adequado e proteção contra impactos podem ser necessárias.

O uso correto e a conservação do calçado também fazem parte da proteção. Em atividades com exposição a riscos ocupacionais nos pés, calçados abertos não são apropriados.

Vestimentas de proteção

A roupa utilizada durante o trabalho também merece atenção. Além de contribuir para a proteção contra sujeira e determinados contatos com produtos, pode ser necessário utilizar uma vestimenta com características específicas quando houver um risco que justifique essa proteção.

A seleção deve considerar o risco identificado, as características da atividade e as orientações do fabricante.

As roupas utilizadas no trabalho também precisam ser mantidas limpas e em boas condições.

Quando a proteção respiratória é necessária?

A proteção respiratória exige uma análise cuidadosa. A presença de vapores, gases, poeiras ou outros contaminantes não significa que qualquer máscara possa ser utilizada.

O respirador precisa ser compatível com o contaminante e com as condições de exposição.

Nos postos de combustíveis, a questão dos vapores e da exposição ao benzeno merece atenção específica. A NR-20 estabelece requisitos próprios para a exposição ocupacional ao benzeno em postos revendedores de combustíveis automotivos.

Por isso, a escolha da proteção respiratória deve estar relacionada à avaliação dos riscos e às medidas de controle adotadas no ambiente.

EPIs para frentistas

Os frentistas estão diretamente envolvidos com o abastecimento e permanecem em contato constante com veículos, combustíveis e condições ambientais externas.

Dependendo da avaliação de riscos, podem ser utilizados:

  • luvas adequadas à atividade;
  • óculos de proteção;
  • calçado de segurança;
  • vestimenta apropriada;
  • outros equipamentos definidos pela avaliação de riscos.

Além dos equipamentos, o trabalhador precisa receber orientação sobre os riscos e os procedimentos seguros de trabalho.

A NR-20 também estabelece requisitos relacionados à capacitação dos trabalhadores que atuam com inflamáveis e combustíveis.

Troca de óleo e manutenção exigem outra análise

Quem trabalha com troca de óleo, manutenção e pequenos reparos pode estar exposto a riscos diferentes daqueles encontrados durante o abastecimento.

Nessas atividades podem estar presentes:

  • óleo lubrificante;
  • graxa;
  • combustíveis;
  • produtos de limpeza;
  • peças e ferramentas;
  • superfícies quentes;
  • partículas;
  • objetos cortantes;
  • riscos de impacto.

Por isso, a seleção dos equipamentos deve acompanhar a atividade efetivamente realizada. Luvas, óculos, calçados e vestimentas podem ser necessários, enquanto outros equipamentos podem ser incluídos quando houver riscos específicos.

Limpeza do posto também apresenta riscos

As atividades de limpeza muitas vezes recebem menos atenção na avaliação de segurança, mas também podem envolver contato com produtos químicos, combustíveis derramados, óleo, resíduos e superfícies escorregadias.

Os EPIs devem ser escolhidos considerando os produtos utilizados e as tarefas executadas.

Dependendo da atividade, podem ser necessários:

  • luvas adequadas ao produto utilizado;
  • óculos de proteção;
  • calçado adequado;
  • vestimenta de proteção;
  • proteção respiratória, quando indicada pela avaliação.

As informações de segurança dos produtos utilizados devem ser consultadas para identificar perigos e medidas de proteção recomendadas.

EPI não substitui a proteção coletiva

Esse é um dos pontos mais importantes quando se fala em segurança em postos de combustíveis.

O EPI não deve ser tratado como a única barreira de proteção do trabalhador.

A NR-20 estabelece requisitos relacionados à segurança operacional, análise de riscos, manutenção e inspeção das instalações, controle de fontes de ignição, prevenção e controle de vazamentos, incêndios e explosões e capacitação dos trabalhadores.

Na prática, a proteção pode envolver diferentes medidas:

  • organização do ambiente;
  • sinalização;
  • controle de fontes de ignição;
  • manutenção adequada dos equipamentos;
  • procedimentos de trabalho;
  • treinamento;
  • sistemas e equipamentos de proteção coletiva;
  • medidas de prevenção contra incêndios;
  • controle de vazamentos e derramamentos;
  • utilização correta dos EPIs.

O equipamento individual deve complementar essas medidas, e não substituir controles que possam ser adotados no próprio ambiente de trabalho.

Abastecimento exige atenção constante

O abastecimento reúne dois fatores que exigem atenção: a presença de produtos inflamáveis e a movimentação de veículos.

Por isso, o trabalhador deve seguir os procedimentos estabelecidos pelo posto e utilizar os equipamentos indicados para sua atividade.

Também é necessário observar as orientações relacionadas ao controle de fontes de ignição e à prevenção e controle de vazamentos, derramamentos, incêndios, explosões e emissões fugitivas.

Como escolher o EPI correto?

A escolha deve começar pela identificação do risco, e não pelo equipamento disponível para compra.

  1. Identifique os riscos: avalie contato com combustíveis, produtos químicos, veículos, ferramentas, calor, vapores e outros agentes.
  2. Conheça a atividade: abastecimento, limpeza, troca de óleo, manutenção e descarga de combustível apresentam exposições diferentes.
  3. Selecione o equipamento: o EPI precisa oferecer proteção compatível com o risco identificado.
  4. Verifique o CA: os equipamentos sujeitos à NR-6 devem atender aos requisitos aplicáveis, incluindo o Certificado de Aprovação.
  5. Consulte o fabricante: observe limitações, condições de uso, conservação e higienização.
  6. Garanta o ajuste: tamanho e ajuste influenciam o conforto e a proteção oferecida.
  7. Treine os trabalhadores: o trabalhador precisa saber utilizar, guardar, conservar e substituir o equipamento.
  8. Substitua equipamentos danificados: um EPI que perdeu suas características de proteção não deve continuar sendo utilizado.

O que a NR-6 determina?

A NR-6 estabelece os requisitos relacionados aos Equipamentos de Proteção Individual.

De forma geral, a organização deve fornecer gratuitamente o EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas situações previstas pela regulamentação e observando a hierarquia das medidas de prevenção.

A organização também deve orientar e treinar os trabalhadores e exigir a utilização dos equipamentos.

O trabalhador deve utilizar o EPI fornecido para a finalidade a que se destina, cuidar de sua conservação e comunicar qualquer alteração que possa torná-lo impróprio para utilização.

Por que a NR-20 é tão importante?

Postos de combustíveis trabalham diretamente com inflamáveis e combustíveis. Por isso, a segurança não pode ser analisada somente pela quantidade de EPIs disponíveis.

A NR-20 aborda aspectos como análise de riscos, segurança operacional, manutenção, inspeção, capacitação, controle de fontes de ignição, prevenção de vazamentos, incêndios e explosões e resposta a emergências.

Isso significa que a proteção do trabalhador depende de um conjunto de medidas que começa no planejamento da atividade e continua durante a operação e manutenção da instalação.

Treinamento faz parte da prevenção

O trabalhador precisa conhecer os riscos aos quais está exposto e saber como agir tanto durante as atividades rotineiras quanto diante de situações de emergência.

No trabalho com inflamáveis e combustíveis, a NR-20 estabelece requisitos de capacitação de acordo com as características da atividade e da instalação.

O treinamento também deve abordar o uso correto dos EPIs, suas limitações, conservação e os procedimentos a serem adotados em situações como vazamentos, derramamentos ou outras emergências.

Conclusão

A segurança em postos de combustíveis envolve muito mais do que fornecer luvas, óculos e calçados aos trabalhadores.

Cada função apresenta uma combinação diferente de riscos e, por isso, os equipamentos precisam ser selecionados de acordo com a atividade efetivamente realizada.

A NR-6 estabelece os requisitos relacionados aos EPIs, enquanto a NR-20 traz requisitos específicos para atividades e instalações que envolvem inflamáveis e combustíveis.

A proteção adequada depende da combinação entre avaliação de riscos, medidas de controle, procedimentos seguros, capacitação e utilização correta dos equipamentos.

Em um ambiente onde produtos inflamáveis, veículos, máquinas e trabalhadores compartilham o mesmo espaço, segurança precisa fazer parte da rotina e não apenas da entrega do EPI.


Nota informativa: Este conteúdo tem finalidade educativa e informativa. A seleção de EPIs e as medidas de prevenção devem considerar os riscos específicos de cada atividade, as características da instalação, as Normas Regulamentadoras aplicáveis e as orientações técnicas pertinentes.