EPI por Setor de Aplicação
EPIs em laboratórios: quais equipamentos são necessários e como escolher
Saiba quais EPIs são utilizados em laboratórios químicos e biológicos e como escolher luvas, óculos, respiradores e outros equipamentos

Laboratórios podem apresentar diferentes tipos de riscos ocupacionais. Dependendo da atividade realizada, o trabalhador pode entrar em contato com produtos químicos, agentes biológicos, materiais perfurocortantes, temperaturas extremas, partículas, vapores e equipamentos capazes de provocar acidentes.
Por isso, os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) fazem parte das medidas utilizadas para reduzir a exposição aos riscos existentes durante as atividades laboratoriais.
Mas não existe uma lista única de EPIs que possa ser aplicada a todos os laboratórios. A proteção necessária depende do tipo de atividade, dos agentes envolvidos, dos procedimentos realizados e das condições do ambiente.
Quais são os principais riscos encontrados em laboratórios?
Antes de escolher um equipamento de proteção, é necessário identificar os perigos presentes no ambiente de trabalho.
Entre os riscos que podem ser encontrados em laboratórios estão:
- Contato com produtos químicos;
- Respingos de substâncias corrosivas ou irritantes;
- Exposição a agentes biológicos;
- Contato com sangue, secreções e materiais potencialmente contaminados;
- Materiais perfurocortantes;
- Queimaduras;
- Temperaturas extremas;
- Projeção de partículas;
- Quebra de vidrarias;
- Inalação de vapores, gases, poeiras ou aerossóis;
- Riscos relacionados a equipamentos e processos específicos.
Em laboratórios de análises clínicas, microbiologia e pesquisa, por exemplo, pode existir exposição a agentes biológicos. A NR-32 considera risco biológico a possibilidade de exposição ocupacional a agentes como microrganismos, culturas de células, parasitas, toxinas e príons.
Já em laboratórios químicos, é necessário considerar principalmente as características das substâncias utilizadas, a forma de exposição e os procedimentos realizados.
Por isso, simplesmente disponibilizar luvas, óculos e avental para todos os trabalhadores não significa, por si só, que a proteção seja adequada.
Quais EPIs são utilizados em laboratórios?
A seleção dos equipamentos deve partir da avaliação dos riscos. Entre os EPIs que podem ser utilizados estão:
- Luvas de proteção;
- Óculos de proteção;
- Protetores faciais;
- Aventais ou vestimentas de proteção;
- Calçados de segurança;
- Respiradores.
Cada equipamento possui uma finalidade específica e deve ser compatível com o risco identificado.
Luvas de proteção
As luvas são amplamente utilizadas em laboratórios para reduzir o contato das mãos com produtos químicos, agentes biológicos, materiais contaminados e determinados riscos físicos.
Entretanto, não existe uma luva universal para todas as atividades.
Materiais como nitrila, látex, neoprene e PVC apresentam características diferentes de resistência e comportamento diante de determinadas substâncias.
A escolha deve considerar fatores como:
- Substância manipulada;
- Tempo de contato;
- Concentração;
- Possibilidade de respingos;
- Possibilidade de imersão;
- Informações fornecidas pelo fabricante.
Em atividades com risco biológico, também é necessário verificar se a luva é adequada ao tipo de exposição existente.
Outro cuidado importante é não tratar uma luva descartável como uma barreira permanente. O equipamento deve ser substituído quando houver contaminação, dano ou quando o procedimento determinar sua troca.
Óculos de proteção
Os olhos podem sofrer lesões importantes quando entram em contato com produtos químicos, partículas, respingos ou materiais potencialmente contaminados.
Os óculos de proteção podem reduzir o risco de contato dos olhos com esses agentes durante determinadas atividades laboratoriais.
O modelo deve ser escolhido de acordo com o risco. Quando existe possibilidade de respingos maiores ou projeção de materiais, pode ser necessária uma proteção mais abrangente.
Também é importante manter os óculos em boas condições de conservação, sem riscos ou danos que prejudiquem a visão.
Protetor facial
O protetor facial pode ser utilizado quando existe possibilidade de projeção de líquidos, partículas ou outros materiais que possam atingir o rosto.
Em determinadas situações, ele pode complementar a proteção proporcionada pelos óculos.
É importante lembrar que o protetor facial não deve ser considerado automaticamente um substituto dos óculos de proteção. Dependendo do risco, os dois equipamentos podem precisar ser utilizados em conjunto.
Avental e vestimentas de proteção
O avental é comum em diferentes tipos de laboratório porque ajuda a proteger o corpo e as roupas contra respingos e contatos acidentais com determinadas substâncias ou materiais.
O tipo de vestimenta deve ser definido conforme o risco existente.
Um avental utilizado em um laboratório de análises clínicas, por exemplo, não necessariamente oferece a mesma proteção necessária em uma atividade envolvendo produtos químicos corrosivos.
Quando existe risco químico específico, podem ser necessárias vestimentas fabricadas com materiais apropriados para aquela exposição.
Calçados de proteção
Os pés também precisam fazer parte da avaliação de riscos do laboratório.
Derramamento de líquidos, queda de objetos, quebra de vidrarias e outros fatores podem representar riscos para essa região do corpo.
O calçado deve ser escolhido considerando os perigos identificados. Dependendo da atividade, pode ser necessário utilizar calçado de segurança ou outro modelo com características específicas de proteção.
Sandálias, chinelos e outros calçados abertos não são adequados para atividades laboratoriais que apresentem riscos aos pés.
Respiradores
Os respiradores podem ser necessários quando existe risco de exposição por via respiratória a determinados contaminantes.
A escolha, entretanto, não deve ser feita apenas pela aparência do equipamento ou porque determinado modelo é popular.
É necessário conhecer:
- O contaminante existente;
- A concentração;
- A forma de exposição;
- As características do equipamento;
- As limitações indicadas pelo fabricante.
Dependendo do risco, podem ser utilizados respiradores destinados à proteção contra partículas, gases, vapores ou combinações desses contaminantes.
Uma máscara não deve ser considerada automaticamente adequada para qualquer produto químico ou agente presente no laboratório.
EPIs para laboratório químico
Nos laboratórios químicos, a seleção dos equipamentos deve considerar principalmente os produtos e procedimentos utilizados.
Dependendo da atividade, podem ser necessários:
- Luvas compatíveis com o produto químico;
- Óculos de proteção;
- Protetor facial;
- Avental ou vestimenta de proteção química;
- Calçado adequado;
- Respirador apropriado, quando a avaliação indicar necessidade;
- Outros equipamentos específicos.
A Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ/FDS), os procedimentos internos e a avaliação dos riscos são importantes para orientar a escolha dos equipamentos.
Um erro comum é considerar que qualquer luva oferece proteção contra qualquer produto químico. Isso não é correto.
A resistência química depende do material da luva e da substância à qual o trabalhador estará exposto.
EPIs para laboratório biológico
Em laboratórios que trabalham com agentes biológicos, a proteção deve considerar as características do agente, o procedimento realizado e as possibilidades de exposição.
Luvas, proteção ocular, vestimentas e outros equipamentos podem ser necessários conforme a atividade.
A NR-32 estabelece requisitos relacionados aos riscos biológicos nos serviços de saúde. A avaliação deve considerar fatores como fontes de exposição, formas de transmissão, patogenicidade, virulência e persistência do agente.
A norma também prevê capacitação dos trabalhadores sobre riscos biológicos, medidas de controle, higiene, utilização de equipamentos de proteção coletiva e individual, prevenção de acidentes e procedimentos em caso de incidentes.
O EPI deve ser utilizado junto com outras medidas de proteção
O EPI é importante, mas não deve ser tratado como a única medida de prevenção existente no laboratório.
A segurança deve começar pela identificação dos perigos e pela adoção de medidas de controle.
Dependendo do risco, podem ser necessárias medidas como:
- Proteção coletiva;
- Procedimentos operacionais;
- Sistemas de ventilação;
- Capelas;
- Barreiras;
- Sinalização;
- Treinamento;
- Controles administrativos e técnicos.
A NR-1 estabelece diretrizes relacionadas ao gerenciamento dos riscos ocupacionais, enquanto a NR-9 trata da avaliação e do controle das exposições ocupacionais a determinados agentes físicos, químicos e biológicos.
Assim, o EPI deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de prevenção.
O que a NR-6 determina sobre os EPIs?
A NR-6 é a principal norma regulamentadora relacionada aos Equipamentos de Proteção Individual no Brasil.
A norma define EPI como dispositivo ou produto de uso individual concebido e fabricado para oferecer proteção contra riscos ocupacionais existentes no ambiente de trabalho.
Entre as responsabilidades da organização estão adquirir equipamentos aprovados, orientar e treinar os trabalhadores e fornecer gratuitamente o EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas situações previstas pela regulamentação.
Certificado de Aprovação (CA)
Outro ponto fundamental é o Certificado de Aprovação (CA).
De acordo com a NR-6, o EPI de fabricação nacional ou importado somente pode ser comercializado ou utilizado com a indicação do CA emitido pelo órgão competente em segurança e saúde no trabalho.
Antes de adquirir um equipamento para utilização profissional, é importante verificar se ele possui CA quando essa exigência se aplica ao equipamento.
Como escolher o EPI correto para laboratório?
A escolha deve começar pela avaliação dos riscos, e não pelo equipamento disponível para compra.
Alguns pontos devem ser considerados:
- Identificar o perigo: verificar se existe exposição química, biológica, física, mecânica ou outra.
- Avaliar a forma de exposição: identificar se o contato ocorre pela pele, olhos, vias respiratórias, mãos ou corpo.
- Conhecer o produto ou agente: principalmente no caso de produtos químicos e agentes biológicos.
- Escolher o equipamento compatível: verificar as características técnicas e limitações informadas pelo fabricante.
- Conferir o CA: quando o equipamento se enquadrar como EPI sujeito à exigência do Certificado de Aprovação.
- Verificar tamanho e ajuste: um equipamento inadequado ao usuário pode prejudicar a proteção e o conforto.
- Orientar e treinar o trabalhador: o usuário precisa saber colocar, utilizar, retirar, higienizar, armazenar e substituir o equipamento quando aplicável.
- Inspecionar e substituir: equipamentos danificados, contaminados ou sem condições adequadas de uso devem ser retirados da utilização.
Cuidados com luvas e outros EPIs
O uso incorreto pode reduzir significativamente a proteção oferecida pelo equipamento.
No caso das luvas, por exemplo, o trabalhador deve evitar tocar objetos de uso comum com luvas contaminadas, especialmente maçanetas, telefones, computadores e outros equipamentos que não fazem parte do procedimento.
Também é importante retirar os EPIs de maneira adequada para evitar que a parte contaminada entre em contato com a pele ou com roupas limpas.
Depois de determinadas atividades, pode ser necessária a higienização ou o descarte do equipamento, conforme suas características e o risco envolvido.
Treinamento também faz parte da proteção
Não basta entregar o equipamento ao trabalhador.
A organização deve orientar sobre os riscos existentes, a finalidade do EPI, a forma correta de utilização, suas limitações, conservação, higienização, guarda e substituição.
A NR-32, por exemplo, prevê capacitação antes do início das atividades e de forma continuada nos casos relacionados à exposição a agentes biológicos.
O treinamento também ajuda a evitar situações como utilizar luvas inadequadas, retirar os óculos durante um procedimento de risco ou utilizar um respirador sem considerar o contaminante existente.
Conclusão
Os EPIs utilizados em laboratórios são importantes para reduzir a exposição dos trabalhadores aos diferentes riscos presentes nas atividades laboratoriais.
Luvas, óculos de proteção, protetores faciais, aventais, calçados e respiradores estão entre os equipamentos que podem ser utilizados, mas a necessidade de cada um depende dos riscos identificados.
Não existe uma lista única de EPIs adequada para todos os laboratórios. Um laboratório químico, um laboratório de microbiologia, um laboratório de análises clínicas e um laboratório de pesquisa podem apresentar riscos diferentes e, consequentemente, exigir medidas de proteção distintas.
A escolha correta deve considerar a avaliação dos riscos, as características dos agentes envolvidos, os procedimentos realizados e as especificações dos fabricantes.
Além disso, a NR-6 deve ser observada quanto aos requisitos aplicáveis aos EPIs, incluindo a necessidade de Certificado de Aprovação para os equipamentos enquadrados na norma.
Mais do que simplesmente utilizar um equipamento, é necessário usar o EPI correto, da maneira correta e dentro das condições para as quais ele foi projetado. Dessa forma, a proteção individual passa a fazer parte de um sistema de prevenção mais completo dentro do laboratório.
Referências oficiais
- Ministério do Trabalho e Emprego — NR-6: Equipamento de Proteção Individual
- Ministério do Trabalho e Emprego — NR-32: Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde
- Ministério do Trabalho e Emprego — NR-1
- Ministério do Trabalho e Emprego — NR-9
- Fundacentro — Segurança e Saúde no Trabalho
Nota: este conteúdo tem caráter informativo. A definição dos equipamentos necessários deve considerar os riscos efetivamente identificados, os procedimentos realizados, as normas aplicáveis e as orientações dos fabricantes.


